Uma Relação Autêntica: o melhor presente

 

(Jornal Zero Hora, 11/05/02 - p.15)

 

A capacidade natural do ser humano de alcançar a imortalidade para as futuras gerações, pode ser vivenciada, simbolicamente, através de um filho. Garantir a continuidade humana no mundo é possível graças à capacidade divina e maravilhosa da concepção.

Este ser maravilhoso, capaz de nos fazer tão felizes e realizados, precisa ser visto e sentido como único no universo, através de uma relação de qualidade, carregada de afeto, .  

Para que isso aconteça é necessário que se veja a criança de uma nova maneira, diminuindo a distância e refletindo sobre as relações autênticas, enfim, estabelecendo um acordo sincero com a infância. Nos colocando assim em uma postura de disponibilidade resgatando e descobrindo seus desejos, seus fantasmas e, suas limitações. Conquistando a partir daí a vitória de uma relação autentica e, juntamente com a sabedoria da vida, buscar momentos de entrega nesta relação pais e filhos.

Não quero aqui passar receitas prontas, mas entre o real e o imaginário se encontra um mundo todo especial carregado de uma simbologia própria e nele abriga, o brincar, forma milenar que as crianças encontraram de viver suas fantasias e tornar a realidade com um colorido todo especial. E viajando em um barquinho de papel, poderemos chegar neste mundo mágico e conhecer assim um pouco mais de nossos pequeninos.

É importante lembrar, no entanto, que não se trata de somente brincar para cumprir o papel de pai, fazendo do que poderia ser um prazer, uma obrigação na certeza do dever cumprido junto à família. Mas sim, de concretizar a busca do desejo também diante da nossa criança interior, daquela que habita dentro de nos, entrando em contato com ela, conhecendo e descobrindo o corpo através das sensações e movimentos mais amplos, é que seremos capazes de entregarmos a uma relação verdadeira com nosso filho e, desta forma, conquistar um parceiro de afeto por inteiro, na qual a criança jamais esquecerá. 

E é este momento mágico de alquimia entre o dever e o prazer, onde a educação familiar estará firmada por um laço muito mais forte que, certamente, ela também saberá, ao longo dos tempos, transmitir para as futuras gerações.

Sabemos que não é uma tarefa fácil. Muitas vezes não nos permitimos a este pequeno gesto e com o passar dos anos e o tumulto do dia-a-dia, não poucas vezes somos tomados pela necessidade de compromissos “mais importantes”, que têm nos roubado as chances de dedicarmo-nos um pouco mais à simples regrinha do “faz de conta” e com isso, o mundo mágico vai se perdendo.

Com toda a certeza esta conquista, fruto da vivência com as diferentes fases de nosso filho, nos permitirá uma bagagem de vida, carregada de sentimentos mais ricos e verdadeiros. Nos levará sempre além de um maior entendimento do que a criança sente e pensa, à certeza da construção do alicerce maior de todos, que é o amor sincero e a compreensão mais clara entre o pai e o filho.

 

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Psicopedagoga Maria Rita Fernandes Araújo

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