Entre a Fantasia e a Realidade

 

(Jornal Zero Hora, 10/10/03 - p.19)
 

Está chegando mais uma importante data para nossas crianças. E suas listinhas de presentes já estão repletas de sonhos e expectativas, diante do que gostariam de ganhar neste dia da criança. As lojas já começam se lançar com criativas propagandas que, com uma linguagem sintonizada com a infância, despertam ainda mais o já sensível sentido do brinquedo e da fantasia.

 

Cada família possui a sua realidade, e repassar para a criança a importância de um brinquedo dentro do orçamento familiar deve ser a prioridade, transmitindo, de forma bem clara, a real diferença, por exemplo, sobre o quanto vale um deque original do Pokemon ou uma boneca de super poderes. 

 

Existe uma relação direta entre o saber cognitivo e os saberes da vida diária da criança, que, de alguma forma, estão relacionados ao afeto, aos desejos e às frustrações de cada um e, quando se fala claramente com as crianças, se está tornando mais claro também os saberes da aprendizagem.

 

Ao conseguirmos aplicar, por exemplo, o raciocínio lógico em nossa vida diária, certamente via ficar mais fácil, mais tarde, o aprendizado da matemática em sala de aula. Quando se sabe que temos três irmãos para dividir nove balas, as operações se tornam mais simples, pois a relação afetiva está presente e esta, naturalmente, se funde ao conhecimento.

 

Por outro lado, não podemos deixar de lado a fantasia e o faz-de- conta para puxar as crianças a um mundo só de realidade, pois é através dessa capacidade imaginativa que os desejos das crianças são realizados. É sempre bom não esquecermos pensamentos de Piaget, sobre os quais é através da fantasia que a inteligência se desenvolve na infância. E, pensando assim, precisamos, também, entrar neste mundinho todo especial, onde a fantasia e a realidade se misturam. É preciso dar às crianças bem mais que um presente coerente com a realidade econômica em que vive, mas uma vida onde se possa viver com eles uma relação de afeto entrando em seu mundo de fantasias e proporcioná-los uma relação de prazer em uma gostosa brincadeira  de esconde-esconde, amarelinha, ou, simplesmente, uma  lutinha no tapete da sala.

 

Os carrinhos perdem as rodinhas as bonecas os cabelos e com o tempo estes brinquedos estão esquecidos em um canto e trocados por novos, porém as brincadeiras entre pais e filhos são de um conteúdo afetivo muito forte e ficam marcadas por toda uma existência.

 

Neste momento pode parecer contraditório refletir sobre a realidade em que vivemos e a fantasia dos pequeninos, mas é exatamente ai dentro de um equilíbrio entre a fantasia e a realidade e entre o prazer e as frustrações que se encontram nosso aprendizado de vida. Não se pode estar totalmente alheio a realidade, mas também não podemos deixar  de lado toda a simbologia existente na fantasia infantil.

 

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Psicopedagoga Maria Rita Fernandes Araújo

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