Psicomotricidade Relacional: e por falar em simbologia...

 

Para um maior entendimento do que é Psicomotricidade Relacional, segundo o método André Lapierre, faz-se necessário introduzir algumas idéias de Piaget e Wallon, visto que, a partir de dois enfoques diferentes, pode-se melhor situar seus objetivos.

 

Em seus estudos do desenvolvimento, Piaget coloca como sendo o período Pré-Conceitual a fase do pensamento em que a inteligência se desenvolve a partir da imitação e do imaginário e, nesta fase, a criança é capaz de criar e representar uma coisa por outra, aumentando, assim, a rapidez e o alcance do pensamento, particularmente à medida que se desenvolve a linguagem, sendo este período também chamado de Simbólico. Esta fase, posterior ao sensório motor, se estende na criança entre dois e sete anos de idade, mais ou menos.

 

Embora todos os fins nos levem a um desenvolvimento cognitivo, precisamos pensar de uma maneira interligada com o emocional, e Piaget deu uma maior ênfase à inteligência através de uma relação com os objetos do que com o meio e às outras pessoas. E, para completar este pensamento, daremos, também, um enfoque às idéias de Wallon quando ele diz:

 

“O movimento torna-se, assim, simultaneamente a primeira estrutura de relação com o meio, com os objetos e os outros de onde se edificará a INTELIGÊNCIA, e é a primeira forma de expressão emocional e de comportamento. Pelo movimento, a criança exprime as suas necessidades que contêm em si uma dimensão emocional que se traduz numa linguagem antes da linguagem”.

 

Para Wallon o movimento não é puramente um deslocamento no espaço, nem uma simples contração muscular, e sim, “um significado de relação afetiva com o mundo”.

 

 Sendo assim, diante de dois pensadores com pontos-de-vista tão diferentes dentro de um enfoque comum, em que idéias se completam sob perspectivas distintas nos remetendo a um tópico maior, que é o desenvolvimento infantil, poderemos, agora, nos referir com mais clareza sobre o que consiste a Psicomotricidade Relacional. Dentro de um método próprio, criado por André Lapierre, a PR ajuda a criança, através do jogo simbólico, a resolver suas dificuldades relacionais que, de forma espontânea, aparecem em suas brincadeiras. Dessa forma, tanto as questões ligadas à inteligência, como as de ordem emocionais e afetivas, vão aparecendo em seu jogo. E, neste contexto, o adulto, que, interagindo com a criança como um parceiro simbólico desse jogo, deverá entender o desejo da criança, e, dessa forma, fazê-la evoluir na sua problemática.


No trabalho de Psicomotricidade Relacional a criança necessita de um espaço amplo como alguns materiais oferecidos, para que, de forma simbólica, consiga entender e ajudá-la em seus conflitos. Estes conflitos geralmente estarão ligados à separação da mãe ou seu referencial, questões ligadas à agressividade, sexualidade, desmistificação do poder, entre outros.

Lapierre prioriza o trabalho da Psicomotricidade Relacional em um nível preventivo e educativo, trabalhando com a criança dentro do período que Piaget caracteriza como período Pré-Conceitual ou Simbólico, como o referido anteriormente. Não se pode deixar de levar em conta também a importância de um trabalho terapêutico, já que, através do emocional, se pode chegar a possíveis sintomas que algumas vezes precisam ser resgatados em fases anteriores ou, mesmo, dentro de sua própria.

 

As dificuldades de aprendizagem, segundo estudos psicopedagógicos, são sintomas que, na sua grande maioria, estão ligados a questões afetivas, e a Psicomotricidade Relacional atua diretamente, através da relação, nestas questões.


Em terapia Psicomotora, será priorizada uma relação de qualidade, em que a criança terá um atendimento individualizado, com um enfoque especial em seu caso particular, dentro de um histórico próprio, utilizando-se também da psicopedagogia, como meio de auxiliar no diagnóstico e nos sintomas específicos de cada caso, ajudando a resgatar etapas que possam ter sido queimadas. Já, a Psicomotricidade Relacional coloca nas mãos de alguns educadores e terapeutas, mais uma ferramenta de trabalho pedagógico, tornando possível, desta forma, uma alquimia peculiar na qual o impossível pode ser experimentado, através do jogo simbólico.

 

 

Rua Dr. Armando Barbedo, 410 - sala 202 

Bairro Tristeza

Porto Alegre, RS

Psicopedagoga Maria Rita Fernandes Araújo

      51  99989.7047

MAPA DO SITE

Site desenvolvido por