Parceiros para Sempre

(Jornal Zero Hora, 07/08/04 - p.18)


Há muito tempo atrás o poder era atribuído à mulher, pois acreditava-se que somente ela era a responsável pela fertilidade da terra. Quando o homem descobriu que fazia parte desta importante missão, tomou para si o poder, fazendo com que, por muitos séculos, caísse sobre os diferentes povos do planeta o manto inviolável do regime patriarcal. 

 

Com o passar dos anos, apesar de ainda estarmos longe do que se poderia considerar ideal, o mundo já começa a experimentar exemplos de sociedades mais justas e equilibradas, onde homens e mulheres administram juntos cidades, nações e, ainda, o dia-a-dia de seus lares e de seus próprios filhos. Perceberam que a fertilidade não se concentra apenas num óvulo maduro ou num espermatozóide ágil, mas na formação de crianças felizes que possam ter a garantia de um desenvolvimento saudável para um futuro adulto, coerente e sábio. A figura paterna da relação aprende a soltar-se das amarras do passado, em busca de uma presença mais definida no seio familiar. A figura austera de todo final de dia, maestro da razão e da emoção, dá lugar ao ser atencioso, meigo, compreensivo e brincalhão, que passa a compreender a simbologia sincera dos gestos e movimentos infantis, em busca de um pouco mais de atenção. É o despertar para uma interação mais aberta e sincera no trato com os filhos, valorizando a qualidade frente aos novos valores da vida. É o pai que, muitas vezes, precisa ser mãe. Administrador que, às vezes, se transforma em dono de casa. Homem que, por alguns momentos, se torna um pouco mulher. O pai na luta constante pelo resgate da criança interior, em busca dos desejos esquecidos pelo tempo, aprendendo a conhecer a si e, como conseqüência, a seus próprios filhos, atendendo, dessa forma, a seus anseios e necessidades. 

 

Uma simples conversa, em busca da novidade na rotina. Uma brincadeira no final do dia, quando o cansaço já chega ao limite. Um sorriso. Uma resposta. A entrega à relação verdadeira e sincera, na luta diária pela conquista de um parceiro de afeto por inteiro. É a supremacia dos sentimentos mais ricos e verdadeiros. Como a plantinha, regada todos os dias, e podada para direcionar o crescimento. Momentos de alquimia entre o dever e o prazer que deixarão o registro para o futuro distante, rumo a uma sociedade mais equilibrada e justa. É a incansável busca dos mais simples momentos de alegria que a convivência conjunta por oportunizar, sem esquecer que não há nada mais prazeroso que brincar e permitir-se, de forma natural e espontânea, às emoções e aos prazeres do mundo do “faz-de-conta”. Não se trata de uma brincadeira que contemple a mecânica cartilha do papel de pai, na ânsia do dever cumprido junto à família. Mas a oportunidade de possibilitar o resgate do jogo simbólico, descobrindo e conhecendo o mundo colorido e gratificante do afeto e do aprendizado, onde a parceria, a confiança e a amizade ganhem papel de destaque na relação pai e filho. 

 

Nesse Dia dos Pais, nada mais justo que uma homenagem aqueles que, no tumulto do dia-a-dia, ainda conseguem espaço para a brincadeira amiga e a conversa sincera com o filho. Aos que desafiam a comodidade rotineira para entender e aprimorar a interação de momentos que servirão de lastro para as lembranças futuras. Aos pais que choram, que riem, que brincam. Mais do que nunca, parabéns. 

 

Rua Dr. Armando Barbedo, 410 - sala 202 

Bairro Tristeza

Porto Alegre, RS

Psicopedagoga Maria Rita Fernandes Araújo

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