O recomeço e as diferenças

 

Maria Rita Fernandes Araújo,

Neuropsicopedagoga, Psicomotricista Relacional

 

 

Em meio à selva, um ser diferente foi encontrado por uma mãe gorila, que se apaixonou incondicionalmente por ele. No início, não foi fácil, tanto para a mãe como para a criança. Mas com o tempo, Tarzan foi sendo  respeitado e valorizado em suas diferenças, e acabou sendo acolhido pelos demais gorilas. Superou suas dificuldades e tornou-se um grande homem, forte e com capacidades cognitivas adquiridas através da inclusão de dois mundos totalmente distintos.

 

É chegada a hora do retorno ao convívio escolar e, com ele, a sensação do novo, do diferente. Cabe lembrar, no entanto, que diante de uma maioria de crianças com as mais distintas características físicas, encontram-se algumas que, mesmo dentro desse padrão, apresentam diferenças muito peculiares no que se refere ao cognitivo e ao relacional. Daí, a necessidade de uma atenção mais aprimorada por parte da Escola, já na busca de um processo de identificação, de conhecimento e de inclusão nos projetos, trabalhos e de métodos de avaliação escolar.

 

O nosso sistema de ensino vem dando passos cada vez mais importantes no desenvolvimento de processos de acolhimento e amparo desses casos, na busca de métodos mais eficientes para a inclusão e a aprendizagem. São casos já bem conhecidos, como síndromes, transtornos globais do desenvolvimento e dislexia, entre outros. No entanto, transtornos de aprendizagem, como, por exemplo, déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), também deve merecer a mesma atenção por parte de educadores e especialistas, já que, sabidamente, também acabam impactando no bom andamento da rotina escolar.

 

         Entram aí as estratégias de ensino, que podem fazer a diferença na construção de um planejamento mais inclusivo. Passam, obrigatoriamente, pelo envolvimento de todos, como família, escola, terapeutas e a própria criança.

 

Também, o momento da avaliação escolar, já que não se pode avaliar um aluno com transtornos de aprendizagem da mesma forma como a média geral dos colegas. Algumas crianças necessitam de um tempo maior e um espaço mais tranqüilo para a realização de provas avaliativas.

 

As dificuldades são passageiras, por serem em muitos casos decorrentes de fatores externos. Já, os transtornos, cujos fatores podem ser de natureza orgânica, neurológica ou ambos os casos, podem perdurar por toda a vida.

 

É um trabalho árduo, quase cirúrgico, que diz respeito à escola, pais e terapeutas. É dessa forma que, juntos, vamos poder construir um sistema de ensino mais harmonioso, com respeito às diferenças e cada vez mais inclusivo. A partir daí, conseguiremos criar o vínculo e a empatia com a criança, tão necessários para estabelecer o contato com suas necessidades, singularidades e seus potenciais.

 

 

 

(Jornal Zero Hora, 22/02/2014)

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Psicopedagoga Maria Rita Fernandes Araújo

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