Super Herói

 

(Jornal Zero Hora, 10/08/02)

      
Está chegando a hora da grande homenagem ao super herói mais importante do mundo. Com poderes tão identificados com força, proteção,  vida e amor, é, especialmente agora, que ressaltamos a importância de ser pai, em nome da disponibilidade e do resgate do prazer nas pequenas e boas coisas da vida. Deitar e rolar na grama, tomar banho de mangueira num dia de verão, soltar pipa, jogar bolinha de gude, ou, mesmo, sonhar acordado com o filho, futuro campeão. São atos simples e significativos, que trazem à tona momentos de comunhão entre parceria e fidelidade. Para isso, neste universo tão rico em emoções, é preciso rever prioridades da vida e do que ela realmente representa para nós.


Para que possamos estar disponíveis a esta relação mágica e poderosa, é imprescindível resgatar a nossa criança interior. Uma reflexão clara e honesta, em busca do elo perdido pelo tempo. Tudo, pela descoberta dos seus desejos, seus fantasmas e, mesmo, suas limitações. É a magia da inocência transformando nossas vidas na liberdade sem julgamentos e pré-conceitos. É a sensação do auto-conhecimento e a conquista da capacidade de materializar o sonho infantil, que, somado à experiência dos anos e à sabedoria natural que a vida proporciona, favorece a conquista dos momentos de entrega na relação com o filho.


O nosso corpo é a nossa casa. E é através dele que expressamos   sentimentos de sede e fome, frio e calor, amor e ódio, alegria e tristeza. Absorvida pelos afazeres do dia-a-dia, não poucas vezes “nossa casa” é esquecida e subjugada a valores sociais dos mais diversos. Vai deixando de viver os momentos de alegria, até esquecer que não há nada mais gostoso do que brincar e permitir-se, com alegria e naturalidade, às emoções e aos prazeres do mundo do “faz-de-conta”.


Não se trata apenas de brincar para cumprir o papel de pai ou de fazer, daquilo que poderia ser um momento de alegria, uma obrigação na certeza do dever cumprido junto à família. É, isto sim, a busca do desejo diante da nossa criança interior e o resgate do prazer pela descoberta do corpo e das sensações dos movimentos mais amplos. Uma relação inteiramente nova em que pai e filho passam a se tornar parceiros de um jogo simbólico, coroado pelo afeto e aprendizado. 


Cabe lembrar o educador francês, André Lapierre, idealizador do método da Psicomotricidade Relacional, que defende a priorização da qualidade das relações como forma de os pais colocarem-se  disponíveis a uma relação por inteiro com os filhos. Segundo ele, através do ato de brincar, poderão, juntos, descobrir e conhecer o mundo colorido do afeto, onde o adulto se coloca como um parceiro simbólico.


Portanto, o pai que já se deu conta do tipo de Super Herói que o seu filho realmente espera, tem mais do que bons motivos para comemorar este seu verdadeiro Dia. Parabéns, Super Pai.

 

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Porto Alegre, RS

Psicopedagoga Maria Rita Fernandes Araújo

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