Criança, Páscoa e Simbologia

 

 

 

 

(Jornal Zero Hora, 28/03/02 - p.17)
 

 

 Desde os tempos mais remotos que, aliados à fé e aos ensinamentos cristãos sobre  morte e ressurreição de Cristo, vivemos a fantasia do coelhinho  da Páscoa. No período contemporâneo, o tempo nos ensinou a não deixar de lado eventuais questionamentos sobre a importância deste personagem na cabecinha  infantil. As crianças de maior idade dizem tratar-se de uma mentira fantasiosa dos adultos. Diante desse contexto, não poucas vezes questionamos a nossa responsabilidade junto aos pequeninos, tanto sob a ótica evangelizadora, como no sentido mais cognitivo.

 

Tendo como enfoque o desenvolvimento, através de uma linha mais cognitiva, pode-se citar estudos do suíço Jean Piaget. Em seus trabalhos relacionados ao pensamento, revela que a criança, com idade entre  dois e sete anos, encontra-se no Período Simbólico, onde desenvolve sua inteligência através da fantasia e do brinquedo. E é justamente aí que esse nosso personagem tão simpático, o Coelinho da Páscoa, está escondidinho.

 

A capacidade que a criança tem de representar uma coisa por outra aumenta a rapidez e o alcance do pensamento, particularmente à medida que se desenvolve a linguagem. Nesse estágio, ela supõe que todos os objetos são vivos e capazes de interagir  e de se relacionar com ela. Desta maneira, através do mundo mágico da fantasia, a inteligência de nossos pequeninos vai se desenvolvendo. E cabe a nós adultos, como educadores, pais ou professores, um importante papel nesse processo, já que a relação que passa a se estabelecer, especialmente durante as brincadeiras, é a de parceiro simbólico.

 

A Psicomotricidade Relacional, dentro do método do educador francês André Lapierre, prioriza esta relação e coloca nas mãos de alguns educadores mais esta ferramenta a ser desenvolvida durante o trabalho pedagógico escolar. Lógico que, na medida em que mais profissionais se integram a esta proposta, o caminho  acaba se estendendo, naturalmente, aos pais. Até porque o desenvolvimento de nossos filhos e alunos depende, principalmente, da relação criança-pai-professor.

 

E neste Domingo de Páscoa, após a reflexão sobre os ensinamentos cristãos, vamos viver com nossos filhos e alunos toda a fantasia que envolve esta data, seguindo as pegadas do coelhinho que, de forma atrapalhada, ainda teve tempo de esconder o ninho no fundo do armário da cozinha ou, mesmo, em baixo da cama ou atrás de uma porta qualquer. E a fantasia é importante, sim. Pois, dessa forma, estaremos estimulando nossas crianças a aprender a descobrir o mundo da maneira mais simples e completa que existe: brincando.

 

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Bairro Tristeza

Porto Alegre, RS

Psicopedagoga Maria Rita Fernandes Araújo

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