Ansiedade Infantil e Volta às Aulas

(Jornal Zero Hora, 25/02/03 - p.15)

 

Final de férias, é chegada a hora do retorno ao convívio escolar. E dessa rotina fazem parte nossos pequeninos que, ao mesmo tempo em que gostariam de continuar correndo livremente pelas areias da praia, voltam a experimentar sentimentos de ansiedade e euforia no reencontro com colegas, professores e com a própria escola.

 

         É muito importante que, neste momento, pais e professores estejam  atentos à essa nova rotina, pois é nesse encontro, entre o real e o imaginário, que se esconde um mundinho todo especial, onde, ao mesmo tempo em que a inteligência se desenvolve, os conflitos se elaboram. E é justamente na escola onde estas duas realidades mais se fazem presentes, especialmente em idades entre dois e sete anos, quando a criança vivencia a fase do simbólico. É quando seus desejos são satisfeitos na medida em que consegue, por exemplo, transformar um simples cabo de vassoura num cavalo alado que a levará direto para o país das maravilhas. É o momento em que o sonho e a realidade se juntam para formar o mundo todo colorido da infância.

 

É essa realidade infantil o melhor cenário para atuação do educador. Entender esse novo espaço, tornando-se parceiro simbólico da criança e sua ação com o brinquedo, para, desta forma, poder conquistar uma relação autêntica com eles, e melhor contribuir para o seu crescimento afetivo e cognitivo. 

 

Precisamos, sobretudo, estar conscientes de que os conflitos da vida afetiva da infância geram impactos importantes sobre a aquisição de seus conhecimentos intelectuais. Sabe-se que muitas vezes as dificuldades escolares são conseqüências naturais de eventuais conflitos adquiridos em algum momento da “realidade” infantil, que, quando identificados e trabalhados adequadamente, poderão facilitar os caminhos para um cenário de desenvolvimento sadio e sem traumas.

 

André Lapierre, educador francês e idealizador do método da Psicomotricidade Relacional, ilustra a prevenção destas dificuldades através de uma história em que uma velhinha colhia maçãs diariamente só que, como não dava conta de consumi-las, colocava à mesa as mais velhas, deixando as boas para o dia seguinte. No outro dia, quando ia consumir as que eram boas já estavam quase estragadas. Com isso, Lapierre fala da necessidade de tratar as dificuldades da infância antes de elas gerarem eventuais sintomas no aprendizado. Desta forma, a Psicomotricidade Relacional apresenta-se como importante ferramenta na educação de nossos alunos, onde os conflitos normais da infância são trabalhados através do brinquedo e de seu conteúdo simbólico.

 

Portanto, nesta volta às aulas, não podemos abrir mão do olhar atento e afetuoso para, assim, melhor entender os desejos e ansiedades de nossos pequeninos. É a maneira mais simples e adequada de buscar no mundo do faz-de-conta a solução para dificuldades e conflitos tão comuns nas cabecinhas de nossos pequeninos. 

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Porto Alegre, RS

Psicopedagoga Maria Rita Fernandes Araújo

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