A Terra do Nunca e a Volta às Aulas

 

(Jornal Zero Hora, 04/03/01 - p.6) 
 

Depois de um longo período de férias, surge um novo problema para os pais, que é a adaptação das crianças à realidade da volta às aulas. São novos colegas, novos professores, novas disciplinas, enfim, uma rotina a ser seguida, mergulhada num ambiente em que não estavam acostumados. É o reencontro com a mesma escola, mas com muitas novidades. Embora se saiba que a vida é assim mesmo, para as crianças essa novidade, muitas vezes, surge em sua frente como um desafio a ser superado e que precisa da colaboração e ajuda de todos.

 

E é neste primeiro contato da criança com a escola, que o educador deve estar atento para identificar e trabalhar as dificuldades relacionais de seus alunos, que se apresentam de forma mais comum nas crianças da educação infantil e das séries iniciais do ensino fundamental. A meta é proporcionar à criança momentos e espaços lúdicos que favoreçam a relação professor/aluno, aluno/aluno e aluno/escola. E é neste momento da vida de nossos filhos, que surge a Pscicomotricidade Relacional, uma prática de muita importância, a ser aplicada desde os primeiros dias de volta às aulas.

 

Baseada no método do educador francês André Lapierre e largamente difundida no Brasil, essa prática psicopedagógica baseia-se na relação da criança com o adulto através do jogo em seu sentido mais amplo, onde se pode trabalhar os tipos mais variados, como o jogo fictício, o esteriotipado, o que serve de refúgio, enfim, o jogo simbólico, ou o espontâneo.

 

A atividade motora espontânea é a porta aberta para a criatividade sem fronteiras, a livre expressão do imaginário e, também, do simbólico. E esta porta, através de vivências carregadas de prazer, será fundamental para o desenvolvimento da criança em suas primeiras relações com um novo grupo social. Aliás, é importante lembrar que a criança é um ser ativo cuja ação é regida pela lei do interesse e da necessidade, o que implica em sua adaptação progressiva ao ambiente físico e social.

 

Porém, para que isso aconteça, é necessário que o adulto veja a criança de uma nova maneira, diminuindo a distância nas relações com ela, questionando seu papel educativo, refletindo sobre as relações corporais autênticas, permitindo-se ao diálogo corporal com a criança, enfim, estabelecendo um acordo sincero com a infância.

 

É importante lembrar que as crianças que agora vêm de férias, após um longo convívio ao lado dos pais. Deve o educador, portanto, não esquecer que os castelos de areia, as conchinhas mágicas, e a estrela-do-mar que caiu do céu, são brincadeiras mágicas que ficarão na lembrança.  Para tudo isso é melhor ter presente que  Peter  Pan, Sininho e seus amigos estão mesmo voltando da Terra do Nunca para suas escolas, até porque eles também precisam crescer e se tornar um dia adultos felizes.

 

 

Rua Dr. Armando Barbedo, 410 - sala 202 

Bairro Tristeza

Porto Alegre, RS

Psicopedagoga Maria Rita Fernandes Araújo

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